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VAN GOGH – O INTANGÍVEL DA AUTO LIDERANÇA

“Nunca pintei uma cadeira... pinto a ausência que há nela!”.

Van Gogh 1
Ao ouvir essa frase na peça “A Sombra do Invisível”, baseada nas cartas do Van Gogh para seu Irmão Theo, senti uma forte descarga de adrenalina. Lembrei-me imediatamente da visita que Cris e eu fizemos em 2008, ao quarto de 9m2 no Auberge Ravoux aonde ele se hospedou e viveu seus últimos 70 dias, na pequenina Auvers sur Oise, a cerca de 30 km de Paris. Ali ele suicidou-se com um tiro, DIA 29 de julho de 1890.
Tinha uma vaga lembrança de haver visto uma cadeira vazia naquele aposento. Só sosseguei quando encontramos a foto daquela cadeira vazia no quarto em que ele habitava! Somos apaixonados pela obra de Van Gogh. Vimos grande parte das suas pinturas em vários museus – em Amsterdã, no Louvre, Prado, National Galery, MASP, MoMa… enfim, fizemos tours intencionais em cidades aonde tinha obras dele. A Noite Estrelada é o seu quadro mais tocante e bonito para mim. O Estudante (conhecido também como “O Filho do Carteiro” que faz parte do acervo do MASP) e A Casa Amarela, pintado em Arles, também sempre me comoveram. Não sei explicar os motivos.
Em 2008 Cris e eu fizemos algo mais ousado: fomos visitar a casa aonde ele nasceu em Zundert, Holanda, no dia 30 de Março de 1853. Depois fomos até Arles, França aonde ele passou uma temporada, conviveu com seu querido amigo Gaughin. Sim, o também pintor e famoso Gaughin. Fomos andando até o jardim de uma “casa de repouso” aonde ele ficou internado em Arles e sentamos em um dos bancos aonde ele também sentou para pintar um dos seus quadros.
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Faltava um local: a sua última morada no Auberge Ravoux, na pequena Auvers Sur Oise. Sentamos na mesa aonde ele fazia suas refeições e provavelmente tomava seu absinto. Conseguimos entrar no quarto dele após quase implorar a atual dona do Auberge que nos permitisse uma espiadinha.
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Andamos até a casa do dr Gachet, que havia se tornado seu amigo e o socorreu após o tiro suicida. Na varanda dessa casa vislumbramos várias paisagens que inspiraram alguns quadros do Van Gogh.
Ah, como foi emocionante voltar aos museus para rever algumas obras e sentir o que sentimos ao reconhecer nos quadros as paisagens aonde estivemos. Ao assistir a peça a emoção foi forte. Em um momento do monólogo, a fala do ator João Paulo Lorenzon que nos faz mergulhar nos sentimentos sombrios, medos, dores e sonhos do consagrado pintor — cuja produção só foi aclamada anos depois da sua morte, me lembrou do Raul Seixas que da mesma forma que Van Gogh, do alto da sua “maluquez” dizia verdades que tocam na alma.
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